
O tumor de Warthin é um tumor benigno das glândulas salivares que aparece quase sempre na parótida, a glândula localizada à frente e abaixo da orelha. É o segundo tumor benigno mais frequente dessa região, atrás apenas do adenoma pleomórfico. Entender como ele se comporta ajuda o paciente a conversar com o cirurgião sobre as opções: acompanhar ou operar.
O que é o tumor de Warthin e por que ele aparece na parótida?
Também chamado de cistoadenoma papilífero linfomatoso, o tumor de Warthin é formado por uma mistura de células epiteliais, espaços com líquido (cistos) e tecido linfoide. Essa composição ajuda a explicar por que ele surge quase exclusivamente na parótida.
Durante o desenvolvimento do embrião, pequenos linfonodos ficam “incluídos” dentro da parótida, e fragmentos de tecido salivar ficam presos dentro desses linfonodos. A hipótese mais aceita é que o tumor se origine desse tecido salivar aprisionado. Por isso, ele costuma aparecer na porção inferior da glândula, perto do ângulo da mandíbula, conhecida como cauda da parótida.
O tumor de Warthin é considerado benigno, cresce devagar e raramente sofre transformação maligna. Ainda assim, qualquer nódulo na parótida precisa de investigação, porque outros tumores da glândula podem ter aparência semelhante no início. O texto sobre o que causa tumor na parótida traz um panorama das causas mais comuns.
Quais são os sintomas e quem tem mais risco?
Na maioria das vezes, o tumor de Warthin se manifesta como um caroço indolor, móvel e de crescimento lento abaixo ou à frente da orelha. Muitas pessoas o percebem ao se barbear, ao pentear o cabelo ou em um exame de imagem feito por outro motivo.
Alguns aspectos são típicos desse tumor:
- é mais comum em pessoas acima dos 50 anos;
- tem forte associação com o tabagismo, que é o principal fator de risco conhecido;
- pode aparecer nos dois lados, ao mesmo tempo ou em momentos diferentes;
- pode haver mais de um nódulo na mesma glândula;
- às vezes aumenta de volume e fica dolorido após uma inflamação.
Historicamente, era mais descrito em homens. Com a mudança no perfil do tabagismo, a proporção entre homens e mulheres ficou mais equilibrada. Sinais como dor persistente, crescimento rápido, endurecimento, fixação aos tecidos ou fraqueza em um lado do rosto não são típicos do Warthin e pedem avaliação rápida. Veja mais em sintomas de tumor nas glândulas parótidas.
Como a PAAF e a ressonância ajudam a identificar o Warthin?
A investigação costuma começar pelo ultrassom, que mostra o tamanho, os limites do nódulo e a presença de áreas císticas. Em seguida, a punção aspirativa por agulha fina (PAAF) colhe células para análise.
No tumor de Warthin, o laudo da PAAF costuma descrever células oncocíticas, com citoplasma abundante, em meio a linfócitos e a um fundo com material líquido ou granular. Hoje, muitos serviços usam o Sistema Milão para laudos de citologia salivar, que organiza o diagnóstico em categorias com riscos estimados diferentes. Quando a amostra é típica, a citologia é bastante sugestiva, mas nem sempre é conclusiva.
A ressonância magnética complementa a investigação. Ela mostra a localização do tumor em relação ao nervo facial, se há lesões em outros pontos da glândula ou do outro lado e características que ajudam a diferenciar o Warthin de outros tumores. Em alguns casos, a cintilografia com tecnécio também pode ser usada, porque esse tumor costuma captar o radiofármaco.
Todo tumor de Warthin precisa ser operado ou pode ser acompanhado?
Nem todo tumor de Warthin precisa ser operado. Como é benigno e de crescimento lento, a observação com exames periódicos é uma opção aceita em situações selecionadas. A decisão considera o quadro clínico completo, e não apenas o laudo.
A observação costuma ser discutida quando a citologia e a imagem são típicas, o nódulo é pequeno e sem sintomas, ou quando o paciente tem risco cirúrgico elevado. Nesses casos, o acompanhamento é feito com ultrassom em intervalos definidos pelo cirurgião.
A cirurgia tende a ser indicada quando há dúvida no diagnóstico, crescimento, dor, inflamações repetidas, incômodo estético ou quando o paciente prefere retirar o nódulo. Essa conversa deve ser franca, com os benefícios e os riscos de cada caminho apresentados de forma clara.
Como é a cirurgia (parotidectomia parcial) e a recuperação?
A cirurgia mais usada é a parotidectomia parcial, que retira o tumor com uma margem de tecido normal, preservando o restante da glândula. Como o nervo facial atravessa a parótida, ele é identificado e preservado durante todo o procedimento, muitas vezes com auxílio de monitorização intraoperatória.
A incisão costuma ser feita à frente da orelha, contornando o lóbulo e descendo por uma dobra do pescoço. A internação, em geral, é curta, de um a dois dias. Um dreno pode ser deixado por um período breve.
Após a cirurgia, é possível haver dormência na orelha, inchaço local e, em uma parte dos pacientes, fraqueza temporária em algum movimento do rosto. Na maioria dos casos, essa fraqueza é transitória e regride ao longo de semanas a meses. Os detalhes do procedimento estão em tumores nas parótidas: como é a cirurgia e na página de tumores de parótida.
O tumor de Warthin pode voltar ou aparecer do outro lado?
A recidiva verdadeira, no mesmo local, é incomum quando o tumor é retirado adequadamente. O que pode acontecer é o surgimento de um novo tumor de Warthin em outra parte da mesma glândula ou na parótida do outro lado, já que esse tumor pode ser múltiplo.
Por isso, o seguimento após a cirurgia inclui exame clínico e, quando indicado, ultrassom de controle. Parar de fumar é uma medida importante para a saúde de modo geral e para reduzir a exposição ao principal fator de risco.
O Dr. Thiago Chulam, cirurgião de cabeça e pescoço (CRM-SP 131730, RQE 44274), avalia tumores de parótida e de outras glândulas salivares em São Paulo, Sorocaba e Vitória. Para agendar uma avaliação ou revisar exames já realizados, a equipe pode ser contatada pela página do cirurgião de cabeça e pescoço em São Paulo.
Perguntas frequentes
Tumor de Warthin vira câncer?
Parar de fumar faz o tumor de Warthin diminuir?
O tumor de Warthin dói?
Quanto tempo leva a recuperação da cirurgia de parótida?
Referências
- Organização Mundial da Saúde (OMS). Classificação dos tumores de cabeça e pescoço, 5ª edição, 2022.
- Sistema Milão para laudos de citopatologia de glândulas salivares, 2ª edição, 2023.
- National Comprehensive Cancer Network (NCCN). Diretrizes para cânceres de cabeça e pescoço — tumores de glândulas salivares, 2025.
- Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP). Orientações ao paciente sobre glândulas salivares (site institucional), acesso em 2026.
Dr. Thiago Chulam — cirurgião de cabeça e pescoço | CRM-SP 131730 | RQE 44274. Conteúdo informativo, não substitui consulta médica.
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