Ablação de Nódulos da Tireoide Radiofrequência ou micro-ondas, sem retirar a glândula
A ablação térmica trata nódulos benignos da tireoide por dentro, com uma agulha guiada por ultrassom, sem retirar a glândula. O calor é gerado por radiofrequência ou por micro-ondas, e a escolha entre as duas depende de cada nódulo. O procedimento é indicado para nódulos com punção benigna que causam sintomas ou incômodo estético. Desde 2025, a diretriz da American Thyroid Association também reconhece a ablação como opção para o microcarcinoma papilífero de baixo risco, o câncer de tireoide de até 1 cm, em pacientes selecionados.
O que é a ablação térmica da tireoide
Na ablação, um eletrodo fino entra no nódulo pela pele, guiado por ultrassom em tempo real. A ponta gera calor de forma controlada e trata o tecido do nódulo, que o organismo reabsorve aos poucos nos meses seguintes. O tecido saudável ao redor é preservado.
O procedimento é feito com anestesia local, sem corte e sem anestesia geral. O paciente volta para casa no mesmo dia.
A ablação não substitui a cirurgia em todos os casos. Ela é uma opção a mais, ao lado do acompanhamento com ultrassom e da tireoidectomia, e a escolha entre as três é feita na consulta.
Radiofrequência ou micro-ondas
As duas técnicas usam calor e seguem os mesmos princípios: agulha guiada por ultrassom, anestesia local e tratamento do nódulo por etapas. A diferença está na forma como o calor é gerado e se espalha no tecido.
A radiofrequência é a técnica com mais estudos publicados em nódulos benignos de tireoide. As micro-ondas também são usadas na prática, e a diretriz europeia de 2020 considera que essa técnica ainda está em avaliação.
O Dr. Thiago Chulam usa radiofrequência ou micro-ondas a depender de cada caso. A escolha leva em conta o tamanho, a composição e a localização do nódulo, e é explicada ao paciente antes do procedimento.
Para quem a ablação pode ser indicada
A indicação começa com ultrassom de boa qualidade, punção com resultado benigno e exames de função da tireoide. Seguindo a diretriz europeia e o consenso internacional, a ablação pode ser considerada em:
- Nódulo benigno que causa sintomas, como sensação de aperto no pescoço, dificuldade para engolir ou desconforto ao deitar.
- Nódulo benigno visível no pescoço que incomoda do ponto de vista estético.
- Nódulo autônomo (que produz hormônio em excesso), em casos selecionados. Nessa situação o iodo radioativo continua sendo o tratamento de primeira linha, e a ablação pode ser discutida principalmente em pacientes jovens com nódulos pequenos.
- Paciente que não pode ou prefere não operar, depois de conhecer as vantagens e os limites de cada opção.
Em nódulos predominantemente císticos, o primeiro tratamento costuma ser a alcoolização. A ablação térmica entra quando o cisto volta ou quando sobra uma parte sólida importante.
Ablação no microcarcinoma papilífero de tireoide
Microcarcinoma papilífero é o carcinoma papilífero com até 1 cm. A diretriz de 2025 da American Thyroid Association passou a considerar três caminhos para o microcarcinoma de baixo risco: cirurgia, vigilância ativa com ultrassom ou ablação térmica, escolhidos junto com o paciente.
A ablação entra quando o tumor é único, tem até 1 cm, fica restrito à tireoide, não encosta na traqueia nem no trajeto do nervo da voz, não há linfonodos alterados no pescoço e a punção não mostra subtipo agressivo. Antes do procedimento, o pescoço é mapeado por ultrassom e, quando indicado, por tomografia.
A experiência mais longa vem de grupos coreanos ligados ao Dr. Jung Hwan Baek, com pacientes acompanhados por mais de 10 anos após a radiofrequência. O acompanhamento com ultrassom continua depois do tratamento, porque um novo nódulo pode surgir em outra parte da tireoide.
Quando o tumor não preenche esses critérios, a cirurgia é o tratamento indicado.
Quando a ablação não é indicada
- Câncer de tireoide fora dos critérios de baixo risco descritos acima, ou acima de 1 cm. Nesses casos a cirurgia é o tratamento indicado, porque permite retirar o tumor, analisar o tecido e tratar os linfonodos quando necessário.
- Nódulo sem punção conclusiva.
- Bócio com muitos nódulos em que a indicação é tratar a glândula inteira.
- Gestação e algumas condições clínicas, avaliadas na consulta.
Como é o procedimento
Antes: consulta com revisão dos exames, ultrassom detalhado do nódulo e confirmação do diagnóstico pela punção, conforme as diretrizes. O paciente recebe orientações sobre medicamentos e jejum.
No dia: anestesia local no pescoço, com o paciente acordado. Sob ultrassom contínuo, o eletrodo é posicionado no nódulo e o tratamento é feito por partes, até cobrir toda a área planejada. A duração depende do tamanho e do número de nódulos.
Depois: o paciente fica em observação por um período curto e recebe alta no mesmo dia, com orientações por escrito. O acompanhamento é feito com ultrassom em intervalos definidos na consulta, para medir a redução do nódulo.
A redução é gradual e acontece ao longo de meses. Em nódulos maiores, pode ser preciso mais de uma sessão.
Riscos e limites
Como todo procedimento, a ablação tem riscos, e o treinamento de quem faz é parte da segurança, como destaca a diretriz europeia. Os efeitos mais comuns são dor ou desconforto local nos primeiros dias, inchaço e pequenos hematomas. Com menos frequência podem ocorrer alteração passageira da voz, por irritação do nervo da laringe, queimadura de pele no ponto de entrada e alteração da função da tireoide.
O nódulo diminui, mas em geral não desaparece. Uma parte pode continuar ali e, em alguns pacientes, voltar a crescer com os anos, o que pode levar a novo tratamento ou à cirurgia. Por isso o acompanhamento com ultrassom faz parte do tratamento.
Ablação ou cirurgia: como decidir
A cirurgia retira o nódulo de forma definitiva e permite analisar todo o tecido. É o tratamento indicado para a maioria dos cânceres de tireoide e para nódulos suspeitos. A ablação preserva a glândula, é feita com anestesia local e tem recuperação mais curta, mas vale para nódulos benignos selecionados e para o microcarcinoma papilífero de baixo risco, e o resultado é gradual.
O Dr. Thiago Chulam realiza tanto a cirurgia da tireoide quanto a ablação. A conduta é definida em conjunto com o paciente, considerando o tipo de nódulo, os sintomas, os exames, a saúde geral e a preferência de cada um. Se você quer saber se o seu nódulo pode ser tratado por ablação, o primeiro passo é uma consulta com os exames em mãos.
Leia também: cirurgia da tireoide, como entender o laudo da tireoide, TI-RADS 4 e Bethesda III.
Dr. Thiago Celestino Chulam, médico. Cirurgia de Cabeça e Pescoço. CRM-SP 131.730, RQE 44274. CRM-ES 8482, RQE 8763. Cirurgião oncológico do A.C.Camargo Cancer Center, fellowship no Instituto Europeu de Oncologia, em Milão, e professor da UFES. Atende em São Paulo, Sorocaba e Vitória. Currículo e imprensa.
Revisado em 01/11/2026 pelo Dr. Thiago Celestino Chulam.
Referências
- Papini E, Monpeyssen H, Frasoldati A, Hegedüs L. 2020 European Thyroid Association Clinical Practice Guideline for the Use of Image-Guided Ablation in Benign Thyroid Nodules. Eur Thyroid J. 2020;9(4):172-185. doi:10.1159/000508484
- Orloff LA, Noel JE, Stack BC, et al. Radiofrequency ablation and related ultrasound-guided ablation technologies for treatment of benign and malignant thyroid disease: an international multidisciplinary consensus statement. Head Neck. 2022;44(3):633-660. doi:10.1002/hed.26960
- Ringel MD, Sosa JA, et al. 2025 American Thyroid Association Management Guidelines for Adult Patients with Differentiated Thyroid Cancer. Thyroid. 2025;35(8):841-985.
- Cho SJ, Baek SM, Lim HK, Lee KD, Son JM, Baek JH. Long-Term Follow-Up Results of Ultrasound-Guided Radiofrequency Ablation for Low-Risk Papillary Thyroid Microcarcinoma: More Than 5-Year Follow-Up for 84 Tumors. Thyroid. 2020;30(12):1745-1751. doi:10.1089/thy.2020.0106
- Jeong SY, Baek SM, Shin S, Son JM, Kim H, Baek JH. Radiofrequency Ablation of Low-Risk Papillary Thyroid Microcarcinoma: A Retrospective Cohort Study Including Patients with More than 10 Years of Follow-up. Thyroid. 2025;35(2):143-152. doi:10.1089/thy.2024.0535
- Kim HJ, Cho SJ, Baek JH. Comparison of Thermal Ablation and Surgery for Low-Risk Papillary Thyroid Microcarcinoma: A Systematic Review and Meta-Analysis. Korean J Radiol. 2021;22(10):1730-1741. doi:10.3348/kjr.2020.1308
Perguntas frequentes sobre ablação de nódulos da tireoide
A ablação dói?
É feita com anestesia local, e a maioria dos pacientes descreve pressão ou calor no pescoço durante o procedimento. Nos primeiros dias pode haver dor local, em geral controlada com analgésicos comuns.
Qual a diferença entre radiofrequência e micro-ondas?
As duas tratam o nódulo com calor, guiadas por ultrassom e com anestesia local. Mudam a forma como o calor é gerado e se espalha. A radiofrequência tem mais estudos publicados. A escolha é feita na consulta, conforme o nódulo.
O nódulo some depois da ablação?
Em geral diminui ao longo de meses, mas não desaparece por completo. Uma parte pode permanecer e, em alguns casos, voltar a crescer. O ultrassom de controle acompanha essa evolução.
Vou precisar tomar hormônio depois?
A ablação trata só o nódulo e preserva o resto da glândula, por isso a reposição de hormônio em geral não é necessária. Isso é diferente da retirada total da tireoide, em que a reposição é obrigatória. A função da tireoide é acompanhada com exames.
A ablação serve para câncer de tireoide?
Para o microcarcinoma papilífero de baixo risco, sim, em pacientes selecionados: tumor único de até 1 cm, restrito à tireoide, longe da traqueia e do nervo da voz e sem linfonodos alterados. A diretriz de 2025 da American Thyroid Association reconhece essa opção ao lado da cirurgia e da vigilância ativa. Nos demais cânceres de tireoide, o tratamento é cirúrgico.
Quantas sessões são necessárias?
Muitos nódulos são tratados em uma sessão. Nódulos maiores podem precisar de uma segunda, decidida depois do ultrassom de controle.
Quais exames levar na consulta?
Ultrassom recente da tireoide, com laudo e, se possível, as imagens. Resultado da punção, se já feita. TSH e T4 livre. Lista de medicamentos em uso. Se faltar algum exame, ele pode ser pedido na primeira consulta.
Atendimento em São Paulo, Sorocaba e Vitória.
Consultas particulares, com possibilidade de teleconsulta para revisão inicial de exames e segunda opinião, conforme avaliação.
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