Tumores nas parótidas: como é a cirurgia e quando ela é indicada?
Postado em: 29/01/2026

Perceber um nódulo próximo à orelha ou receber a informação de que há um tumor na parótida pode gerar muitas dúvidas. A boa notícia é que, na maioria dos casos, esses tumores são benignos — mas isso não significa que devam ser ignorados. Compreender como o diagnóstico é feito e como é a cirurgia da parótida ajuda o paciente a tomar decisões mais seguras e informadas ao longo desse processo.
Este conteúdo explica o que são os tumores nas parótidas, quais sinais merecem atenção, como o médico chega ao diagnóstico e de que forma a cirurgia é planejada e realizada.
O que são tumores nas parótidas e por que eles surgem?
A glândula parótida é a maior das glândulas salivares. Ela fica localizada na região lateral do rosto, logo abaixo e à frente da orelha, e tem como função principal produzir saliva para auxiliar na digestão e na proteção da boca.
Os tumores que surgem nessa glândula podem ser benignos ou malignos. A maioria é benigna — o adenoma pleomórfico e o tumor de Warthin são os tipos mais comuns. Os tumores malignos, como o carcinoma mucoepidermoide, são menos frequentes, mas exigem avaliação e tratamento cuidadosos.
As causas não são completamente conhecidas. Alguns fatores associados incluem exposição prévia à radiação na região de cabeça e pescoço, histórico familiar e certas condições genéticas. Na maior parte dos casos, porém, o tumor surge sem um fator de risco claramente identificável.
Independentemente da natureza da lesão, todo nódulo na parótida merece investigação adequada.
Quais sinais e sintomas costumam levar à investigação?
O sinal mais comum é o aparecimento de um nódulo ou aumento de volume na região próxima à orelha, geralmente indolor no início. Outros achados que podem levar à investigação incluem:
- Crescimento progressivo do nódulo ao longo de semanas ou meses;
- Dor localizada na região da parótida;
- Assimetria facial perceptível;
- Dormência ou formigamento na face;
- Fraqueza muscular facial.
Alguns achados aumentam a suspeita de malignidade e exigem avaliação mais urgente: crescimento rápido, dor intensa, paralisia facial ou endurecimento do nódulo. Esses sinais não confirmam câncer, mas indicam que a investigação não deve ser adiada.
Como o médico confirma o diagnóstico de tumor na parótida?
O processo diagnóstico começa com a consulta ao cirurgião de cabeça e pescoço. O médico realiza um exame físico detalhado, avaliando as características do nódulo e a função do nervo facial — estrutura que passa dentro da glândula e controla os movimentos da face.
Ultrassonografia, tomografia e ressonância: quando são indicadas?
Os exames de imagem são fundamentais para complementar a avaliação clínica. Cada um oferece informações diferentes:
- Ultrassonografia: avalia o tamanho, a localização e as características do nódulo de forma rápida e sem radiação;
- Tomografia computadorizada: fornece detalhes sobre extensão do tumor e envolvimento de estruturas ósseas vizinhas;
- Ressonância magnética: é especialmente útil para avaliar a relação do tumor com o nervo facial e tecidos moles ao redor.
A escolha dos exames depende das características de cada caso e é definida pelo cirurgião.
Biópsia por agulha (PAAF): por que ela é importante?
A punção aspirativa por agulha fina (PAAF) é um procedimento minimamente invasivo que coleta células do nódulo para análise. Ela ajuda a diferenciar lesões benignas de malignas e orienta o planejamento cirúrgico — permitindo que o médico defina a extensão da cirurgia com mais precisão antes de realizá-la.
Quando a cirurgia da parótida é indicada?
A cirurgia é o principal tratamento para tumores na parótida, tanto benignos quanto malignos. Os critérios mais comuns para indicação cirúrgica incluem:
- Confirmação ou forte suspeita de tumor, mesmo que benigno;
- Crescimento progressivo do nódulo;
- Risco de transformação maligna ao longo do tempo;
- Presença de sintomas como dor ou comprometimento funcional.
Mesmo quando o tumor é benigno, a cirurgia costuma ser recomendada. Isso porque alguns tipos podem crescer de forma significativa e, em raros casos, sofrer transformação ao longo dos anos. A decisão, porém, é sempre individualizada e depende da avaliação clínica completa.
Tumores nas parótidas: como é a cirurgia na prática?
O procedimento é chamado de parotidectomia e é realizado sob anestesia geral. A incisão é feita em uma localização estratégica — geralmente acompanhando a prega natural à frente da orelha e descendo pelo pescoço — o que favorece um resultado estético mais discreto.
Durante a cirurgia, o cirurgião identifica e preserva o nervo facial, que atravessa a glândula dividindo-a em dois lobos. A partir daí, remove o tumor com margem de segurança adequada. Dependendo da localização e da natureza do tumor, pode ser feita uma parotidectomia superficial (remoção apenas do lobo superficial) ou total (remoção de toda a glândula).
A duração média do procedimento varia conforme a complexidade do caso, mas costuma ficar entre duas e quatro horas. A internação geralmente é curta — em torno de um dia.
Qual é o risco para o nervo facial?
O nervo facial é a estrutura mais importante a ser preservada durante a parotidectomia. Em alguns casos, pode ocorrer fraqueza muscular facial temporária após a cirurgia, que tende a se resolver com o tempo. Lesões permanentes são menos comuns e estão associadas principalmente a tumores malignos com envolvimento direto do nervo.
O planejamento cuidadoso e a experiência do cirurgião são fatores determinantes para minimizar esse risco.
Como costuma ser a recuperação e o acompanhamento?
A recuperação após a parotidectomia costuma ser bem tolerada. O paciente geralmente recebe alta em até 24 horas após o procedimento. Nos primeiros dias, é comum sentir inchaço, dormência local e desconforto na região operada — efeitos esperados e que tendem a diminuir progressivamente.
O retorno às atividades cotidianas ocorre de forma gradual, conforme a orientação médica. O resultado do exame anatomopatológico (que analisa o tecido removido) é fundamental para definir se há necessidade de tratamento complementar.
O acompanhamento ambulatorial regular após a cirurgia é parte essencial do cuidado, independentemente do tipo de tumor.
FAQ — Perguntas frequentes
Tumor benigno na parótida pode virar câncer?
É raro, mas alguns tipos de tumores benignos, como o adenoma pleomórfico, podem sofrer transformação maligna ao longo do tempo, especialmente se não tratados. Esse é um dos motivos pelos quais a cirurgia costuma ser indicada mesmo em lesões benignas.
É possível preservar parte da glândula?
Sim. A parotidectomia parcial remove apenas o lobo superficial da glândula, preservando o lobo profundo. A parotidectomia total remove toda a glândula. A extensão da cirurgia depende da localização, do tamanho e da natureza do tumor.
Fica cicatriz muito aparente após a cirurgia?
A incisão é planejada para seguir linhas naturais da pele, o que favorece uma cicatriz discreta ao longo do tempo. A evolução estética varia de pessoa para pessoa, mas o posicionamento estratégico da incisão é uma preocupação presente no planejamento cirúrgico.
Avaliação especializada faz diferença no planejamento cirúrgico
Entender como é a cirurgia da parótida é um passo importante para quem está diante desse diagnóstico. Cada caso tem suas particularidades e é justamente por isso que a avaliação individualizada por um cirurgião de cabeça e pescoço experiente é tão relevante.
Um planejamento bem feito considera não apenas o tipo e a localização do tumor, mas também as condições clínicas do paciente e os objetivos do tratamento. Se você percebeu um nódulo próximo à orelha ou recebeu diagnóstico de tumor na parótida, agende uma consulta com o Dr. Thiago Chulam.
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo. Não substitui a consulta médica.
INFORMAÇÕES DO AUTOR:
Dr. Thiago Chulam Cirurgião de cabeça e pescoçoFormado em Medicina na Escola de Medicina da Santa Casa de Misericórdia de Vitória, com especialização em Cirurgia de Cabeça e Pescoço pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço. Registro CRM-SP nº 131730