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Tumor de Warthin: o que é, sintomas e quando operar

Dr. Thiago Chulam · CRM-SP 131730 Leitura de 7 min
Tumor de Warthin: o que é, sintomas e quando operar

O tumor de Warthin é um tumor benigno das glândulas salivares que aparece quase sempre na parótida, a glândula localizada à frente e abaixo da orelha. É o segundo tumor benigno mais frequente dessa região, atrás apenas do adenoma pleomórfico. Entender como ele se comporta ajuda o paciente a conversar com o cirurgião sobre as opções: acompanhar ou operar.

O que é o tumor de Warthin e por que ele aparece na parótida?

Também chamado de cistoadenoma papilífero linfomatoso, o tumor de Warthin é formado por uma mistura de células epiteliais, espaços com líquido (cistos) e tecido linfoide. Essa composição ajuda a explicar por que ele surge quase exclusivamente na parótida.

Durante o desenvolvimento do embrião, pequenos linfonodos ficam “incluídos” dentro da parótida, e fragmentos de tecido salivar ficam presos dentro desses linfonodos. A hipótese mais aceita é que o tumor se origine desse tecido salivar aprisionado. Por isso, ele costuma aparecer na porção inferior da glândula, perto do ângulo da mandíbula, conhecida como cauda da parótida.

O tumor de Warthin é considerado benigno, cresce devagar e raramente sofre transformação maligna. Ainda assim, qualquer nódulo na parótida precisa de investigação, porque outros tumores da glândula podem ter aparência semelhante no início. O texto sobre o que causa tumor na parótida traz um panorama das causas mais comuns.

Quais são os sintomas e quem tem mais risco?

Na maioria das vezes, o tumor de Warthin se manifesta como um caroço indolor, móvel e de crescimento lento abaixo ou à frente da orelha. Muitas pessoas o percebem ao se barbear, ao pentear o cabelo ou em um exame de imagem feito por outro motivo.

Alguns aspectos são típicos desse tumor:

  • é mais comum em pessoas acima dos 50 anos;
  • tem forte associação com o tabagismo, que é o principal fator de risco conhecido;
  • pode aparecer nos dois lados, ao mesmo tempo ou em momentos diferentes;
  • pode haver mais de um nódulo na mesma glândula;
  • às vezes aumenta de volume e fica dolorido após uma inflamação.

Historicamente, era mais descrito em homens. Com a mudança no perfil do tabagismo, a proporção entre homens e mulheres ficou mais equilibrada. Sinais como dor persistente, crescimento rápido, endurecimento, fixação aos tecidos ou fraqueza em um lado do rosto não são típicos do Warthin e pedem avaliação rápida. Veja mais em sintomas de tumor nas glândulas parótidas.

Como a PAAF e a ressonância ajudam a identificar o Warthin?

A investigação costuma começar pelo ultrassom, que mostra o tamanho, os limites do nódulo e a presença de áreas císticas. Em seguida, a punção aspirativa por agulha fina (PAAF) colhe células para análise.

No tumor de Warthin, o laudo da PAAF costuma descrever células oncocíticas, com citoplasma abundante, em meio a linfócitos e a um fundo com material líquido ou granular. Hoje, muitos serviços usam o Sistema Milão para laudos de citologia salivar, que organiza o diagnóstico em categorias com riscos estimados diferentes. Quando a amostra é típica, a citologia é bastante sugestiva, mas nem sempre é conclusiva.

A ressonância magnética complementa a investigação. Ela mostra a localização do tumor em relação ao nervo facial, se há lesões em outros pontos da glândula ou do outro lado e características que ajudam a diferenciar o Warthin de outros tumores. Em alguns casos, a cintilografia com tecnécio também pode ser usada, porque esse tumor costuma captar o radiofármaco.

Todo tumor de Warthin precisa ser operado ou pode ser acompanhado?

Nem todo tumor de Warthin precisa ser operado. Como é benigno e de crescimento lento, a observação com exames periódicos é uma opção aceita em situações selecionadas. A decisão considera o quadro clínico completo, e não apenas o laudo.

A observação costuma ser discutida quando a citologia e a imagem são típicas, o nódulo é pequeno e sem sintomas, ou quando o paciente tem risco cirúrgico elevado. Nesses casos, o acompanhamento é feito com ultrassom em intervalos definidos pelo cirurgião.

A cirurgia tende a ser indicada quando há dúvida no diagnóstico, crescimento, dor, inflamações repetidas, incômodo estético ou quando o paciente prefere retirar o nódulo. Essa conversa deve ser franca, com os benefícios e os riscos de cada caminho apresentados de forma clara.

Como é a cirurgia (parotidectomia parcial) e a recuperação?

A cirurgia mais usada é a parotidectomia parcial, que retira o tumor com uma margem de tecido normal, preservando o restante da glândula. Como o nervo facial atravessa a parótida, ele é identificado e preservado durante todo o procedimento, muitas vezes com auxílio de monitorização intraoperatória.

A incisão costuma ser feita à frente da orelha, contornando o lóbulo e descendo por uma dobra do pescoço. A internação, em geral, é curta, de um a dois dias. Um dreno pode ser deixado por um período breve.

Após a cirurgia, é possível haver dormência na orelha, inchaço local e, em uma parte dos pacientes, fraqueza temporária em algum movimento do rosto. Na maioria dos casos, essa fraqueza é transitória e regride ao longo de semanas a meses. Os detalhes do procedimento estão em tumores nas parótidas: como é a cirurgia e na página de tumores de parótida.

O tumor de Warthin pode voltar ou aparecer do outro lado?

A recidiva verdadeira, no mesmo local, é incomum quando o tumor é retirado adequadamente. O que pode acontecer é o surgimento de um novo tumor de Warthin em outra parte da mesma glândula ou na parótida do outro lado, já que esse tumor pode ser múltiplo.

Por isso, o seguimento após a cirurgia inclui exame clínico e, quando indicado, ultrassom de controle. Parar de fumar é uma medida importante para a saúde de modo geral e para reduzir a exposição ao principal fator de risco.

O Dr. Thiago Chulam, cirurgião de cabeça e pescoço (CRM-SP 131730, RQE 44274), avalia tumores de parótida e de outras glândulas salivares em São Paulo, Sorocaba e Vitória. Para agendar uma avaliação ou revisar exames já realizados, a equipe pode ser contatada pela página do cirurgião de cabeça e pescoço em São Paulo.

Perguntas frequentes

Tumor de Warthin vira câncer?

A transformação maligna do tumor de Warthin é considerada rara. O ponto de atenção é outro: no início da investigação, um nódulo na parótida pode ser confundido com outros tumores, alguns malignos. Por isso, o diagnóstico precisa combinar exame clínico, ultrassom, PAAF e, muitas vezes, ressonância, antes de decidir entre acompanhar ou operar.

Parar de fumar faz o tumor de Warthin diminuir?

Não há evidência de que parar de fumar faça um tumor já formado regredir. O tabagismo é o principal fator de risco conhecido, e interromper o hábito reduz a exposição que favorece o surgimento de novos nódulos. Além disso, deixar de fumar diminui riscos anestésicos e favorece a cicatrização caso a cirurgia seja necessária.

O tumor de Warthin dói?

Em geral, não. O quadro típico é de um nódulo indolor, móvel e de crescimento lento. Às vezes, o tumor inflama, aumenta de volume e fica dolorido por alguns dias. Dor persistente, crescimento rápido, endurecimento ou fraqueza no rosto não são típicos e devem ser avaliados sem demora pelo cirurgião de cabeça e pescoço.

Quanto tempo leva a recuperação da cirurgia de parótida?

Em geral, a internação dura de um a dois dias e a volta às atividades leves acontece em cerca de uma a duas semanas, conforme a orientação individual. A dormência na orelha pode persistir por meses. Se houver fraqueza facial temporária, ela costuma regredir de forma gradual ao longo de semanas a alguns meses.

Referências

  • Organização Mundial da Saúde (OMS). Classificação dos tumores de cabeça e pescoço, 5ª edição, 2022.
  • Sistema Milão para laudos de citopatologia de glândulas salivares, 2ª edição, 2023.
  • National Comprehensive Cancer Network (NCCN). Diretrizes para cânceres de cabeça e pescoço — tumores de glândulas salivares, 2025.
  • Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP). Orientações ao paciente sobre glândulas salivares (site institucional), acesso em 2026.

Dr. Thiago Chulam — cirurgião de cabeça e pescoço | CRM-SP 131730 | RQE 44274. Conteúdo informativo, não substitui consulta médica.

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Conteúdo de caráter educativo, elaborado a partir da prática clínica do Dr. Thiago Celestino Chulam (CRM-SP 131730 · RQE 44274). Não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico individualizado.

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