Cirurgias de glândulas salivares (parótida, submandibular)

Cirurgias de glândulas salivares (parótida, submandibular) 2018-03-21T00:53:48+00:00

Tumores de Glândulas Salivares

As glândulas salivares são órgãos responsáveis pela produção diária de saliva (aproximadamente 1.500 ml) sendo cerca de 90% produzida pelas parótidas e submandibulares, 5% pelas glândulas sublinguais e 5% pelas glândulas salivares menores. Inúmeros processos neoplásicos (benignos ou malignos) e também processos não neoplásicos podem ocorrer. As glândulas salivares são divididas em maiores e menores. As glândulas maiores são formadas por 03 (três) pares, sendo as parótidas, as submandibulares e as sublinguais . As glândulas salivares menores são aproximadamente 600 a 1.000, estando localizadas em todo trato aerodigestivo superior, desde a cavidade nasal até a laringe.

Parótidas

As parótidas estão localizadas na lateral da face, na região pré-auricular, drenando através do ducto de Stenon, que tem sua abertura na altura do 2º dente molar superior.

Uma peculiaridade importante da parótida é o nervo facial, VII par craniano, e que é o grande responsável pela mímica facial. Ele divide a glândula em lobo superficial (cerca de 80% da glândula) e profundo (com os 20% restantes). A maior parte dos tumores de glândulas salivares ocorre na parótida.

Fatores de risco

Não há um fator específico definitivo que seja conhecido e responsável por causar o câncer de parótida. Existem, entretanto, alguns fatores que parecem estar relacionados com a doença. O principal e mais citado é a exposição a radiação ionizante. A história familiar, em casos isolados, também parece ter alguma importância. A maioria dos casos ocorre ao acaso.

Sinais de sintomas

Nódulo de crescimento progressivo e geralmente indolor é a forma de apresentação mais comum. Outros sintomas que podem ocorrer são: paralisia facial e o aumento de linfonodos do pescoço. Esses dois sinais, em geral, estão relacionados a tumores malignos.

Diagnóstico

Somente a realização de uma análise do tecido permite determinar se é um tumor benigno ou maligno. Essa análise poderá ser realizada  por meio de uma PAAF (Punção aspirativa por agulha fina) ou biópsia com agulha grossa, guiada por ultrassom. Tomografia e/ou Ressonância e/ou Ultrassom também são utilizados para caracterização da lesão e a definição da estratégia de tratamento. A análise do tipo de tumor só é realizada quando o tumor é removido e avaliado pelo patologista.

Tratamento Tumores de Glândulas Salivares

O tratamento dos tumores de glândulas salivares é cirúrgico. Esses tumores não respondem bem a tratamento como radioterapia e quimioterapia. A cirurgia é um pouco complexa e deve ser realizada por Cirurgião de Cabeça e Pescoço, já que o nervo facial, que controla o movimento da face, passa através dessa glândula, como dito anteriormente. Fazemos uma incisão semelhante à de cirurgia plástica para face, logo à frente da linha da orelha. Dependendo do tumor e da necessidade de remoção de outras estruturas como, por exemplo, linfonodos, podemos realizar uma extensão do corte para a linha do cabelo, o que esteticamente é mais interessante, ou para a região cervical.

A maioria dos tumores da glândula parótida é benigna e se encontra na parte superficial, ou seja, acima do nervo. De qualquer forma, o primerio passo da cirurgia é encontrar o nervo facial e, ao longo de seu trajeto, retirar a porção superficial. Este procedimento, mesmo poupando o nervo facial, o manipula, e algum grau de disfunção desse nervo pode ocorrer, geralmente com recuperação completa com realização de fisioterapia pós-operatória.

Se o tumor for maligno e existirem linfonodos doentes, estes deverão ser ressecados em conjunto com o tumor e, nesses casos, muito provavelmente a radioterapia pós-operatória será indicada.

Se o tumor for maligno e existirem linfonodos doentes, estes deverão ser ressecado em conjunto com o tumor e nesses casos, muito provavelmente a radioterapia pós operatória será indicada.

Tratamento dos Tumores de Glândula Submandibular ou Sublingual

Se a doença está localizada nas glândulas submandibular ou sublingual, será retirada toda a glândula e, talvez, os tecidos que estão ao redor. No território anatômico dessas glândulas existem nervos que controlam o movimento da língua e a sensação de paladar. A depender da extensão dos tumores nessas glândulas, algum desses nervos pode ter que ser ressecado. Ao contrário das glândulas parótidas, onde a maioria dos tumores é benigna, na submandibular e nas sublinguais, pelo menos a metade é câncer. O tipo de corte na cirurgia desses tumores costuma ser no pescoço, pouco abaixo da mandíbula. A principal complicação na cirurgia da glândula submandibular é a disfunção de um dos cinco ramos do nervo facial, o ramo marginal, que inerva o canto da boca. Diante disso, podemos ter desvio do canto da boca como sequela dessa cirurgia, que em geral retorna ao normal com realização de fisioterapia.

Cirurgia Robótica e Abordagem Retroauricular

Essa abordagem, para alguns problemas das glândulas submandibulares, é algo recente. Idealizada por asiáticos, que valorizam muito a imagem corporal e têm pouca aceitação de cortes aparentes, a abordagem por incisão retroauricular com extensão para a linha do cabelo é algo inovador no mundo. Essa abordagem permite a entrada de braços do robô e a remoção de tumores dessa glândula. Também podemos utilizar essa técnica para a remoção dessa glândula pela ocorrência de cálculos. Aqui também vale ressaltar que pouquíssimos cirurgiões estão aptos a realizar o procedimento robótico para esse tipo de abordagem.

Cirurgia das Glândulas Salivares Menores

Os tumores de glândulas salivares menores podem ocorrer nos lábios, palato (duro ou mole), cavidade oral, garganta, cordas vocais (laringe) e nariz. A cirurgia para esses tumores é a remoção do tumor com margens de segurança de pelo menos 1cm. Em se tratando de regiões na boca e garganta, pode ser preciso reconstruir o defeito após a cirurgia. Para isso, podemos utilizar retalhos locais ou lançar mão de retalhos microcirúrgicos.

IMPORTANTE: é fundamental a avaliação de um cirurgião de cabeça e pescoço com experiência em oncologia para determinar o melhor tratamento. O tratamento é algo individualizado e as alternativas são avaliadas caso a caso.