Brasil conseguiu elevar a sobrevida de pacientes com tumores na próstata e na mama

Em todo o mundo, o câncer é uma das principais causas de mortalidade. São aproximadamente 14 milhões de novos casos e 8 milhões de óbitos anualmente, com tendência de alta.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os diagnósticos aumentarão 70% nos próximos anos. A boa notícia é que a sobrevida para alguns tipos da doença também aumenta, com cada vez mais pacientes permanecendo vivos cinco anos após o diagnóstico. É o que mostra um estudo feito em 67 países e publicado hoje na revista The Lancet Oncology, que traz, ainda, dados positivos sobre o Brasil: o País conseguiu, nos últimos 10 anos, prolongar a vida dos pacientes e melhorar seus sistemas de notificação da doença.

Segundo o estudo, liderado por pesquisadores da London School of Hygiene & Tropical Medicine, no Reino Unido, o Brasil alcançou índice de sobrevida para câncer de mama comparável ao de nações desenvolvidas: 87,4% dos pacientes vivos cinco anos após o diagnóstico. Também é notável o êxito do País nos cuidados com o câncer de próstata, que oferece a mesma sobrevida para 96,1% dos homens com a doença. Pacientes com câncer colorretal também sobrevivem mais do que no passado.

À primeira vista, os resultados para os cânceres de estômago, fígado, pulmão e ovário não parecem animadores, pois as taxas de sobrevida apresentaram queda no último ano. Entretanto, a professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Gulnan Azevedo Silva, que participou do levantamento, explica que os resultados não podem ser entendidos ao pé da letra porque, de 1995 e 2009, período em que os dados foram colhidos, houve um grande avanço no sistema de notificação de mortes pelas doenças.

As informações desse período, por exemplo, dizem respeito apenas a duas cidades: Goiânia e Campinas (SP). “Muitas pessoas acabavam morrendo sem que o sistema as registrasse, por uma série de fatores. Elas poderiam, por exemplo, falecer em outro estado e acabavam não entrando nas estatísticas”, explica Silva. Em casos assim, os pacientes eram considerados vivos, elevando artificialmente as taxas de sobrevida para alguns tipos de tumor. A professora frisa, portanto, que não é possível afirmar que a mortalidade aumentou, especialmente entre os tipos mais letais de câncer, como os de fígado e de estômago.

Políticas públicas

O cirurgião oncologista e coordenador do Programa de Prevenção do Câncer do A. C. Camargo Cancer Center, Thiago Chulam, avalia que o levantamento chama a atenção especialmente pelo número de pacientes considerados: 25,7 milhões de adultos diagnosticados com alguns dos tipos mais comuns de câncer no mundo, mama, pulmão, fígado, útero, estômago, ovário, próstata, cólon, reto e leucemia, além de 75 mil crianças diagnosticadas com leucemia linfoide.

Segundo ele, é possível que o sucesso do Brasil na sobrevida para alguns tipos da doença seja resultado de políticas públicas direcionadas. “Isso permite diagnóstico nas fases mais precoces de cânceres colorretais, de útero e de mama, por exemplo, pois eles recebem uma indicação de rastreamento. Para o de estômago, por outro lado, não temos isso”, diz o especialista. Ele observa que esse último tem sido cada vez mais observado em pacientes jovens. “Infelizmente, os profissionais costumam não considerar o câncer em pacientes que ainda não são idosos, e o diagnóstico acaba sendo tardio.”

Fonte: Correio Braziliense

By | 2018-03-20T23:15:10+00:00 October 25th, 2014|Informações úteis|0 Comments